Para a revista Adbusters
Desenhei essa marca nos anos 90 para uma loja de cds especializada em música brasileira. Era o momento em que surgiam Lenine, Chico César e Zeca Baleiro, uma geração de músicos que se enraizava na tradição para florecer timbres surpreendetemente contemporâneos.

Em 2003 a revista Fuse lançou um concurso para a criação de uma fonte experimental sob o tema “segurança”. Fiquei instigado pelo exercício e topei o desafio. Criei a fonte blindage observando nas ruas de São Paulo uma busca excessiva por segurança onde as primeiras vítimas são o espaço, a leveza e a liberdade. Janelas são reduzidas ao mínimo e passagens praticamente desaparecem. O objetivo estético é mostrar peso e estabilidade muito acima do normal necessário. Precisa parecer pouco amistoso. É o que se vê nos carros blindados e nos equipamentos de guerra. Um design que almeja a frieza da máquina, indiferente a qualquer humanidade. Uma fonte robusta e lacrada que não quer papo, que permite alguma pouca leitura apenas à distância.
O orçamento era baixíssimo e o desafio era produzir um cartaz para uma exposição de coloridíssimas gravuras do Miró usando apenas uma cor. O nome e a obra dele são tão conhecidos que eu achei desnecessário reproduzir uma imagem e preferi pegar pelo aspecto onírico. Curiosamente roubei a frase de um livro-entrevista com ele cujo nome também fala de cores, “A Cor dos Meus Sonhos”. Será possível ver o universo Miró apenas lendo?
Esse foi um dos primeiros trabalhos profissionais que eu fiz, todo à mão, bem no começo dos anos 90. Uma academia de ginástica que ficava no bairro do Ipiranga precisava de cartazes para divulgar um passeio ciclístico comemorativo da independência do Brasil. A imagem fala por si mesma.
Pensamos bastante sobre a pergunta acima para desenhar a marca do escritório de advocacia Colaço e Paulo. Queríamos uma referência à balança e nos apegamos à missão da empresa, estabelecer um equilíbrio sólido entre dois pontos de vista.

Flyer para show da banda La Donna, românticas versões do bom e velho rock and roll.
Há muito tempo, montamos uma exposição com ilustrações baseadas no livro “Almoço Nu” de William Burroughs. Fiz esse desenho do garfo para a exposição e para o cartaz de divulgação que serigrafamos sobre algumas folhas de papel de seda. O livro trata das experiências psicodélicas do autor. Por isso fiz indicações de recorte com as instruções “corte aqui e use*” dividindo o cartaz em pedaçoes menores. Basta enrolar. O asterisco, é claro, indica discretamente na margem direita, explicações sobre a contravenção e os malefícios do uso de drogas.
Cosacnaify organizou em 2005, um concurso para a criação de um cartaz de promoção do lançamento do livro de Bringhurst, “Elementos do Estilo Tipográfico”. Ao invés de usar quatro cores, optei pela monocromia impressa em frente e verso sobre papel translúcido. Achei que a possibilidade de enxergar através do papel tornava mais palpável a materialidade do “elemento tipográfico”. Qual será a espessura de uma letra?
Após 11 de setembro, entre uma bomba e outra, um atentado e outro, descobri essa incrível foto de dois talibans conversando e segurando suas armas. Foi só apagar poucos detalhes pra imagem revelar o que realmente tinha pra dizer. Imprimi uma série desses e colei por aí. Até a chaleira estava de pau duro.